Cult(ura) e Kitsch
“As massas humanas vivem num desespero tranquilo” - Thoreau
| - O que é ser Kitsch???!!!! |
| -O que é ser Kitsch???!!!! Este site (www.cultkitsch.org )de onde foi retirado este manifesto ) tem um nome que envolve dois conceitos propositada ou aparentemente contraditórios. -Se as qualidades do cult(ura) são a uma busca em direcção ao conhecimento original e genuíno, o Kitsch é uma arte falsa, de fácil compreensão, para mero entretimento e prazer e reprodução de padrões já existentes.O Kitsch surge como a kultura acessível a todos, com o aparecimento e ascensão da classe média, da produção em massa e da vida aborrecida dos tempos mortos gerados pela diminuição dos horários de trabalhoComo tal a Cultura e a Arte tornam-se Kitsch quando são produzidas em massa e com o objectivo de se adaptar ao público e ao Mercado ( isto não é arte é design).- A Cultura e a Arte como mera reflexão do status actual da sociedade é exactamente o conceito legitimador para ser aplicado ao Kitsch da Kultura de massas com a sua falsa consciência estética e pseudo catarse social. A apropriação da Cultura exige esforço, seriedade e um corte com com tendências ou práticas estabelecidas com o Status Quo do Poder que prefere a noção de kultura industrial Kitsch fornecendo o mercado pseudo-cultural com “produtos” designados para induzir relaxação ou abandono da combatividade contra a estagnação política e a esclerose do sistema no Poder. O futebol e os mega concertos rock actuais são exemplos deste processo pseudo-catártico, em que uma pseudo kultura e arte se impõe como recriação e entretimento, facilidade de acesso e compreensão, com efeitos rápidos e previsíveis e com o espírito comercial de pseudo modernidade, e cujo objectivo é conseguir um efeito dissuasor da evolução cultural e espiritual. |
| 2 - O Ser e o Ter |
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O Ser e o Ter O Kitsch é portanto o efeito da democracia capitalista moderna nas artes, que leva a um abaixamento dos seus standarts, devido ao aumento de consumidores enfastiados, que tentam parecer aquilo que não São mas sim aquilo que Têm . Nesta hipocracia da luxúria, em que as produções artísticas são cada vez mais numerosas e com um mérito cada vez menor, em que os artistas e mesmo os cientistas cultivam o que está IN, o que e é considerado belo, elegante ou comerciável, tornando as Aparências mais importantes que a Realidade. Assim as principais causas da corrupção do gosto são, a procura do status, a exibição social e o consumismo pelo espírito da ostentação. |
| 3 - Kitsch e Polítika |
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Kitsch e Polítika A necessidade histórica do aparecimento do Kitsch é intrínseco à modernidade e prende-se com a compulsão da estética artificial para escapar à normatividade e á anomia , duma fuga prazenteira ao stress, monotonia e tédio da vida quotidiana. O Kitsch é portanto Repetição, Imitação, Falsificação e Estética da Auto-Decepção, uma forma de mentira e embuste, em que o ideal da beleza é socialmente distribuído a uma classe média como outra comodidade sujeita ás leis do mercado da oferta e da procura, e ludibriando as classes da faixa de pobreza se anestesiam na mira de atingir O El Dorado que afinal não lhes é acessível. O Kitsch é pois sinónimo de má kultura ou falsa arte, um esboço grosseiro, barato, uma porcaria fortemente depreciativa, produzida normalmente para propaganda ou fácil entretimento, com qualidades formais inapropriadas a um conteúdo ou intenção cultural, de fácil aquisição financeira e espiritual, atribuindo-lhe a significação de verdadeira Arte. Na modernidade das Democracias caracterizadas por uma filosofia de capitalismo selvagem (sem ética social ou ontológica ), que estranhamente quer dizer governo do povo e não da minoria dos políticos, que há muito abandonaram o Idealismo da justiça social e da libertação do(s) Outro(s), sem corrupção material ou pessoal (activa ou passiva). Assim hoje os políticos desenvolvem a sua actividade , trabalhando hoje em prol do clientelismo pessoal e/ou partidário e dos lobbies económicos dominantes que os financiam, ou da opinião mediática de contabilização de pessoas como percentagens de meros votos numa folha de papel. O Homem comum não percebe que a sua evolução mental é o prazer espiritual que constitui o charme principal da sua Vida, chegando obtusamente a considerá-lo como um obstáculo á prosecução dos seus objectivos materiais Assim hoje, os leitores da idade democrática com tempo reduzido para longos textos escritos, querem livros facilmente localizáveis, de rápida leitura e leve compreensão, falsa concepção de beleza, quer o inesperado e o novo com emoções rápidas e passagens assustadoras, impressionantes , com efeitos rápidos e previsíveis, sem incertezas ou sensação de insegurança pessoal, que possa ser comungada e exibida entre tudo e todos (Mass Man). Recentemente o Kitsch tornou-se um meio para sistematizar, institutionalizar, uniformizar e atingir o maior número possível de massas, em que o mau gosto destes Tempos Modernos, é ilusão, uma manipulação ideológica do gosto, aproveitada pela actividade empresarial para lucrar com as exigências culturais desta nova classe recentemente acordada, em que as novas tecnologias tornam possível a produção barata de livros, imagens, música, móveis, artesanato, etc., em quantidades suficientes para satisfazer o mercado. O Kitsch é psicológica e sociologicamente a expressão de um estilo de vida da classe média burguesa, com uma relação ascética, hedonista, agressiva, aquisitiva, funcionalista ou cibernética com os objectos, baseada no princípio que a genialidade é vista como a capacidade para criar obras baseadas numa mediocridade, que como um bom produto, deve ser acessível e perceptível a todos. Assim quase tudo o que é associado á Kult(ura) artística pode ser transformado e reciclado, imitado ou duplicado, reproduzido e standartizado, enfim um placebo tónico e eclético para diversão do consumidor compulsivo, como reacção contra o terror da constante mudança (que por aumento de velocidade constante gera paranóia e esquizofrenia) , do movimento perpétuo da transformação da realidade e do senso moderno de vacuidade espiritual. |
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O “Kitsch - Man” ou “Momem - Massificado” Assim assiste-se a uma “Kitschificação” causada principalmente pela difusão em massa da arte, em que os media tem como objectivo induzir estados de passividade com as suas imagens e estruturas pré-definidas e digeríveis, com uma ausência de elemento ritual para sustentar um alimento estético e cultural, originando indiferença, Kultura homogeneizada, audiências uniformizadas e manipuladas desde a infância. O “Kitsch -Man” experimenta como Kitsch mesmo os verdadeiros trabalhos artísticos, pois procura uma excitação máxima por um mínimo de esforço, tendo um sentido critíco pouco desenvolvido, passividade mental, preguiça espiritual, pecando por indolência, e é produto tipíco da modernidade ligada á industrialização cultural, ao comercialismo e ao aumento dos tempos livres O “Kitsch -Man” é pois uma degenerescência ameaçadora de toda e qualquer forma de arte, um estilo caracterizado por elementos fora de moda ou repetidos fora do contexto histórico-social, considerados de bom gosto pela kultura estabelecida, uma nova forma de arte da “felicidade comprada” |
| 5 - O Culto como Kitsch ou o Kitsch como Culto |
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O Culto como Kitsch ou o Kitsch como Culto Citando agora Abraham Moles talvez o Kitsch possa ter uma função pedagógica, se fôr usado como uma passagem para atingir o genuíno, ou seja que se faça a cult(ura)ção das massas com cult(ura) verdadeira que permita a sua evolução e não a sua estratificação. A nossa cult(ura) , totalmente auto-intoxicada pelos sub-produtos venenosos da sociedade tecnológica, do egocentrismo e etnocentrismo ideológico, herdada e projectada pela atitude dominadora do Poder, que considera a alteração dos estados de consciência induzidada pela verdadeira cult(ura) como errada, onanista,perigosa,perversa e anti-social, em que a supressão da gnose artística nos rouba o significado verdadeiro de vida, tornando-nos inimigos de nós própros, do planeta e mesmo das gerações vindouras, para manter intacto os pressupostos enganadores do estilo cult(ural) como ego dominador das actuais classes governantes. É chegado pois o tempo de mudança. Assim hoje em dia a verdadeira cult(ura) é considerada pelos valores das classes dominantes , como um Kitsch , de mau gosto, de loucos ou párias sociais, incomodativo, popularista ou de terrorismo destrutivo dos valores estabelecidos e interiorizados pela emergência da Modernidade materialista. O Macarthismo nos Estados Unidos começou por perseguir os verdadeiros artistas que não estavam de acordo com os valores vigentes acusando-os de Kitsch comunista, que a longo prazo tornou Hollywood na fábrica de sonhos do Kitsch actual Talvez seja pois tempo de desenvolver e aprofundar e não deixar cair a verdadeira cult(ura) , como forma de luta contra esta reversão de valores imposta pelo Kitsch dominante, e afinal ser kitsch hoje talvez seja ser vanguardista pois se a verdadeira cultura choca com as noções estabelecidas do que é “bom-gosto”, então ela pode ser considerada um kitsch no ponto de vista do establishement . Daí como diziamos no princípio deste artigo este site tem um nome que envolve dois conceitos propositada ou aparentemente contraditórios. Se calhar ser Kitsch hoje é lutar por uma cult(ura) considerada pelo status quo do Poder e pela classe média por ele politizada, como aberrante, disfuncional, agressiva ou fora de moda . É preciso entender este dilema histórico em que toleramos que o Poder da religião, dos politícos e dos cientistas, que através dos seus associados , os MEDIA, absurdamente nos ditem onde é legítimo usar a imaginação humana , eliminando a curiosidade e gerando a desinformação e a ignorância como forma de controlo, criando pois a impossibilidade de quebrar com o senso-comum, que sempre foi o catalisador das mudanças sociais e políticas. Assim o poder estabelecido está em estado de esclerose autogerada, o que normalmente leva a dissoluções violentas e disrruptivas do status quo vigente. É pois altura de nos rendermos á evidência que é necessário e que devemos transformar as nossa mentes. |
| 6 - Cultura, Kitsch e Poder |
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Cultura, Kitsch e Poder Pois senhores do Poder que condicionam a nossa vontade ao princípio cultural da funcionalidade da máquina capitalista selvagem ( e não de um capitalismo ético) percebam o seguinte: 1 - O pensamento funcionalista é convergente, dirigido á materialidade, ao design da aculturação e não á real criatividade que gera a verdadeira cultura 2 - O acto artístico e o processo da criatividade é pensamento divergente do senso-comum duma determinada época, sem qualquer objectivo funcional ou de repetir ou preservar o já existente, sendo um motor da espiritualidade 3 - O pensamento convergente sem uma componente de criatividade ou de pensamento divergente, conduz à estagnação moral, social e do progresso tecnológico. 4 - Foram os rasgos criativos de alguns que tornaram possível o progresso ou a antevisão de novas invenções tecnológicas e revoluções científicas 5 - O Homem sem uma sólida espiritualidade não consegue gozar a materialidade ou evoluir 6 - Que o recalcamento pelas massas insatifeitas espiritualmente,são resultado do estabelecimento de um poder autocrático, e da opressão, mas que historicamente tem provado a sua instabilidade (apenas o factor tempo não é previsível). 7 - Quanto maior o nível de opressão do poder (estado sólido), que é contrária á evolução da espritualidade dos povos (devia ser um estado líquido, maleável), pois quanto maior for a solidificação do poder , pior e mais violenta é a revolução e dissolução (explosão gasosa) desse sistema de poder 8 - Os povos cada vez mais irão exigir uma democracia pluralista (ou multicracia-que segue a vontade da maioria mas criando alternativas para as minorias) , em vez duma burocracia participativa em que o governado inculturado pelo Poder, através do acto de votar é alienado do seu poder de fundamental de cooperar na gestão dos seus direitos e garantias fundamentais de liberdade, igualdade e solidariedade by charlie junho /2000 |
Manifesto Kitsch publicado em http://www.cultkitsch.org/ser/manifesto.htm no ano 2000